AFORISMOS PARA 2013

Sempre gostei de aforismos. É . Aquelas frases que pouco preenchem lacunas de palavras, mas muito adicionam em nossas reflexões. Colorem nossa estante de conhecimentos com pensamentos sintetizados filosóficos; que independente de quem quer que tenha dito, pouco ou muita cultura, cabem exatamente em alguns instantes nas lacunas da precisão e carência que suplantam nossas dúvidas; a vida e seus dissabores. Acredito nas pequenas grandes obras; aqueles livros que não precisaram gastar as digitais do autor, pois se completaram em conteudo, significado e sentimento. Livros “afóricos”; apenas alguns para não perder a mania didática: O velho e mar, (Heminguay) Vidas secas, (G.Ramoa) O quinze,(R. de Queiroz) O estrangeiro (A. Camus) e tantos outros. Nas canções; nem sempre aquelas com melodias rebuscadas cheias de alternâncias e consonantes valem o êxtase da simplicidade de duas notas vicerais: Pra não dizer que não falei das flôres (G.Vandré). Na vida; os ensinamentos de Cristo com seus aforismos; o filósofo da fé. Na filosofia muitos afôricos eufóricos; Nietzsche, Kant, Pascal, Voltaire e grandes , gigantescos pensadores com seus pequenos enigmas que dizem muito e deixam por muitas vezes em momentos diferentes com diferentes interpretações a subjetividade de um passar a interpretações de outro e semear nesse o que muitas vezes nem o agricultor aforista tinha intenção de fazê-lo. A criação. deixo aqui, para não perder o hábito, improvisado  UM aforismo para 2013. 

QUE   A   QUIETUDE   REFLITA   PARA   QUE   A  CLARIDADE PERMANEÇA. 

 

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ENXURRADA DE NATAL

Enxurrada de natal; tal qual a chuva quando vai começar. O céu escurece e as núvens começam a dar pavor; sobe o vapor e a ideia de tempestade sobre nosso olhos e os olhares de outros que passam. De manhã; o céu do shopping já se apresentava assim neste sábado antecipando o natal. O que era brisa durante a semana se transformou na iminência de uma tempestade de gente num mar de consumo e realizações de sonhos – paliativos da alienação capitalista; perdoáveis nesta data pelo ponto de vista de outra enxurrada de consumo forçado para um “Brasil”melhor- que duram até a virada do ano e as novas dívidas que virão e jogarão a frente as esperanças e aspirações. A chuva começa e nem por isso; feito cusparada, já emborca água pelos bueiros dos corredores do shopping. Chegar antes, na hora de abertura das lojas maiores –  é estar com a capa de chuva e um guarda-chuva muito potente- desses de buffet em dia de chuva- mesmo assim ainda corre-se o risco de ficar horas e horas nas filas. Pelo menos hoje em dia temos a internet ; pois é comprar e rezar pra que tudo dê certo os santos “dabliusdablius” ciceronados pelos agentes de amarelo dos correios entreguem suas compras em dia. Se não já viu; hora dos presentes, sua cara de tacho com as mãos vazias- melhor imprimir o pedido feito num site pra não passar vergonha-  recebendo um presente sem ter outro pra dar ; apenas uma desculpa: é que eu pedi pela internet e ainda não chegou. Mas ainda não falei do supermercado; suas filas intermináveis, carrinhos se encontrando mais do que crianças que começam a caminhar no primeiro dia de parquinho. O patrão rindo a toa- o dono do mercado- por mais uma de luta de todos que fazem o natal a época de maior “comprasfraternização” do ano. Feliz, se teve , tem ou vai ter!

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BEM AVENTURADOS OS QUE JÁ TOMARAM PORRE!

Outro dia sai e nem percebi que usava uma camiseta ao contrário. Isso mesmo pelo lado do avesso. Como percebi depois, a camiseta tinha o pesponto curto e nem dava para reparar que estava pelo lado do avesso. Mas a verdade é que nem percebi e pronto! Quando notei já estava em casa e diante do espelho! Então quer dizer que eu fiquei o dia todo ou tempo de saída e chegada de camiseta pelo avesso e ninguém teve a capacidade me avisar? Então pergunto: pra eximir o outro lado que acuso: o que você faria se visse – alguém que você mal conhece ou não tem intimidade – usando uma camiseta ao contrário? Avisaria? Ficaria quieto? A questão realmente é esta: quando estamos ao contrário muitas vezes intimidamos a lógica das pessoas. Isso acontece muito quando bebemos e perdemos, de certo modo, nossa lógica absurda de coisas certas e fazer sempre o certo. O mundo é lógico; não devemos esquecer! Tudo deve ser metódico, calculado e sempre preciso; quando não, sempre temos exemplos na sociedade com pessoas que perdem o rumo e acabam comprometendo sua vida e a vida de outros porque perde a noção do que pode ou não pode fazer porque muitas vezes – e digo, na maioria das vezes. – cumpriu a tarefa de se tolher de algo que deveria ter feito e não fez realmente, – como se tudo fizesse parte de uma verdade não assumida- Perceba que isso acontece principalmente com pessoas que sofrem a pressão de fazer tudo correto e seguir e dar exemplos práticos de uma conduta meticulosa e ilibada. Quando ingerimos álcool – no sentido da leveza ou grau de cada um; – porque para alguns ingerir álcool depende de uma série de toneis e para outros basta um copo para romper essa barreira que está em pauta- vemos o mundo de outra forma. Quem dera todos pudessem ingerir e se aliviar do estresse de ser o mesmo em algum momento- mas ai temos um problema: precisaríamos sempre daqueles que não bebem ; não para nos controlar , mas para fazer a lógica da bebida ou das bebidas porque para se fabricar bem é preciso estar “são” . Então mera ilusão achar que todos poderiam ser felizes; pois podemos até acreditar que existem aqueles que nunca beberam e se vangloriam disso. Conheço gente assim: nunca botei uma gota de álcool na boca! Dizem. E olha que falam isso sem beber! Mas extrapolar, sair da razão, pensar diferente, botar a camiseta do pensamento ou do cérebro de outra forma não é mal. Digo isso não como analogia ao álcool- pois há aqueles que extrapolam- mas sim como forma de ver sempre o outro lado. O outro lado da garrafa. Resta saber onde cada um pode chegar no volume da garrafa. Boas festas!

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“CONHECE-TE A TI MESMO” – é conhecer pessoas!

A frase máxima do nosso grande filósofo Sócrates, que na verdade não lhe pertence e sim a inscrição no oráculo de Delfos; “Conhece-te a ti mesmo”, demanda uma série de questões nas relações consigo , com o mundo e principalmente com as pessoas. Acredito que aprendemos muito mais sobre nós conversando com outros. A grande dificuldade no mundo atual – que tem sido o excesso de comunicação tecnológica e a consequente falta de comunicação pessoal- na comunicação reside justamente no fato da falta de entendimento pessoal; através do outro e seus comentários, opiniões , atos , acertos e erros é que equiparamos aos nossos e reagimos mentalmente às imposições que nossas auto análises realizam. Quantos de nós percebmos que outro necessita em algum momento uma conversa, um papo sem objetivo específico; apenas por conhecer e dialogar , realizar a ação humana da comunicação? Tenho estranhado tanta gente arredia de assunto em filas de bancos, hospitais, caixas de supermercados e outros tantos lugares onde sempre ” cruzamos” com estranhos em nosso cotidiano de pequeno mundo. Assumimos muitas vezes o papel da preocupação e da velocidade e acabamos por esquecer que numa conversa informal, através de algo sem assunto, descobrimos muitas vezes o que pensa a maioria, qual é a sua função ou papel em determinado momento; pois da mesma forma que abrimos a conversa com a inocente visão de um papo furado, o outro também o faz; abrindo seu modo prático perdido nos tempos atuais. Isso pode ser notado não só com as pessoas mais velhas, mas percebo principalmente com muitas crianças e jovens. Nem todos estão alienados as máquinas e suas formas automáticas de ação, alguns ainda querem uma boa conversa ; pena que esporadicamente o assunto comece com o tema da falta de educação; mas esse é outro tema pra se descutir- o quanto as pessoas tem sido mal educadas; talvez por falta, justamente da comunicação e da maquinização de pensamento-  mais adiante.  Pois é, quem hoje puxou conversa com algum estranho? Falou sobre o tempo, o calor, a chuva, o futebol, a marca na parede?

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COMO OS HEROIS SE FORMAM

Quase quarenta mil pessoas estiveram ontem no Pacaembú para assistir o jogo de despedida de um herói palmeirense; o goleiro Marcos, ou o “São Marcos”, como ele foi batizado e é conhecido pelos torcedores palestrinos e muito respeitado pelos demais torcedores de outros times. Na verdade, no gramado, de futebol não tivemos muita coisa; os momentos futebolísticos se mantiveram na mais pura brincadeira amistosa; como deve ser uma despedida digna de um herói do futebol. Por mais que o torcedor quisesse ver uma peleja com grandes jogadas de dois times completos de estrelas – estavam os heróis palmeirenses de 99, vencedores da libertadores do mesmo ano e os da seleção de 2002 – acredito que o desejo da maioria residia na aclamação do astro da noite; o herói Marcos! Mas será que este título de herói cabe ao famoso goleiro? E como ele conseguiu esse feito? Teria sido seu jeito simples e direto o motivo da conquista de tal alcunha? Seriam suas defesas dificílimas, seus títulos e até seus fracassos dentro de campo; ora vez em quando o time patinava e ainda patina? Seria a sua coragem pra dizer o que nenhum jogador tem coragem pra dizer sobre o jogo e os jogadores? Acho que tudo isso! Sim, a parte do heroísmo, construímos imagens e as pessoas constroem outras imagens baseadas nas nossas. Mas, a quase unanimidade sempre tem uma sabedoria – ai, quase discordo de Nelson Rodrigues, colega das letras e inimigo de clube; ele fluminense e eu Palmeiras –  pois os herói se fazem do bom caráter, mesmo que no momento final de uma vida covarde um último ato , as vezes, pode levar algum ao heroísmo; como se algo do gênero fosse uma linha tênue entre a covardia e coragem, o negativo e positivo, o passado e a transformação do presente e a consequente marca que todo herói deixa para o futuro. O herói associado ao caráter, como no caso de Marcos, da amizade, do respeito, da pureza e até do sarro para consigo mesmo, a auto ironia para assumir os erros e sofrer com eles , mas ter ciência da capacidade de dar a volta por cima. Se pararmos para pensar, todos os dias construímos heróis, quando não; eles estão sempre por ai realizando algo que nos faz pensar e até agir como tal, cabe a coragem de cada um para tentar fazer valer a centelha de uma vida que vale a pena. Parabéns goleiro, seu heroísmo nos inspira independente da cor da camisa!

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TECNOÉTICA MUSICAL?

Sem querer ser saudosista, lembro o tempo de criança em que as rádios tocavam a música “estrangeira” – e até hoje é o que impera – e, esporadicamente, algum artista brasileiro brilhava com alguma banalidade musical. No auge daquele momento, cresci ouvindo essa miscelânea e em dado instante criativo, a música popular se fez marcante em minha trajetória – acredito que tornou-se um paradigma cultural e político para muitos que tem a minha faixa de idade- de um modo impactante a querer mudar o mundo influenciado pelo princípio auditivo ideológico que a boa música trouxe. A explosão nacional dos nos 80 – em nível mundial- com sua criatividade trouxe a tona toda uma carga de transformação pela qual o mundo pulsava e almejava nos anseios da população; uma mistura de gêneros entre os paradoxos da cidadania e do prazer pelo prazer. Era um custo conseguir gravar um disco de vinil e, acontecer, era praticamente quase impossível para quem não possuía formas de divulgação. Atualmente com todas as transformações rumo ao fracasso total da indústria musical, – na ponta das vendas de produtos musicais entenda-se; não que a música não seja mais criativa, pois acredito que esta desculpa sobre a crise ser falta de criatividade pra mim não cola- o mercado da música nos faz pensar muito sobre os questionamentos que tenho levantado em relação ao que podemos chamar de TECNOÉTICA – ética em tempos de tecnologia- que envolve todo e qualquer ato que engloba cópias que geram as facilidades de lucro para alguns – mesmo até a própria indústria que é bem capaz de se auto piratear como o simples ouvinte que não tem condições de comprar e copia- com a consciência de outros. NA verdade, hoje em dia nem sabemos mais qual é a relação de consciência em matéria de copiar, replicar, parte ou todo para um bem necessário ou conhecimento para exercer o repercutir esse bem. Muita gente tem se perguntado: o mercado musical está fadado ao fim? Só quem compra ainda original está imbuído de uma ética religiosa? Profissional? Não há como negar que a tecnologia trouxe facilidades quando pensamos em produção e a democracia desta; mas por outro lado o excesso também não perdeu algum critério entre a escolha e a imposição? Pode até ser que sempre fomos impostos a ouvir o que a indústria queria, mas como sempre afirmo: replicar sem critérios também não seria conferir uma espécie de ditadura do suposto “diverso” que nada no mesmo rio? Pode “copiar” ai e depois discutir , ou pelo menos pensar!

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Uma declaração; 10 anos depois.

Fico pensando em quantas pessoas passam grande parte do tempo postando coisas e mais coisas nas redes sociais. Entenda-se ai , claro, a maior delas; o fecebook, na qual o Brasil só perde para os Estados Unidos em matéria de associados. E o tempo? O que dirá o tempo com relação a essas pessoas que tudo postam e tudo curtem para agradar outros. É bom nem começar a dar exemplos aqui do que vi em matéria de postagem e olha que feita por gente que eu jamais imaginei que fosse tão expositor quanto mostrou e me surpeendeu . Mas não julguemos como diz a edição anterior. Fiquei a imaginar o futuro e criei uma pequena história a lá Veríssimo para exemplificar a questão. Vamos direto aos diálogos:

Érika você por aqui! Nossa você não mudou nada! (Érika , já casada, apressada dentro de um shopping a procura de um presente para sua sogra que é uma mala, encontra o ex- namorado 10 anos depois) Oi, eu te conheço? Claro , não lembra de mim? Herculano; a gente namorou sabia? Ah, sei…o do facebook… Sim, o do face, saimos uma vez depois de trocarmos coisas…Coisas? Ah sim, Mas não foi namoro foi? Você disse que era. Até postou que me amava. Pera ai; vou te mostrar. Deixa eu buscar na núvem. Deixe pra lá, é que eu tou apressada, tenho que…Tem nada , eu quero saber porque você me deu o fora daquele jeito; você nem me deu chance, mas postou que me amava…ou melhor que estava amando e isso foi postado um dia depois da gente ter saido! Como é que me explica isso? Mas…mas, eu não que…(Érika disfarça e começa a se lembrar o porquê deles terem saido uma só vez no passado ; é que o cara era um  translocado e pelo jeito ainda é doido virtual de pedra. Ela relaxa, respira e percebe que Herculano está mais doido do que nunca) Ok, Herculano, eu estava amando, mas posso voltar a amar…Faz o seguinte, vai pra casa e aguarda uma mensagem minha… a gente volta a sair, tudo bem? Entra lá no face e me espera… (Os olhinhos maluquinhos de Herculano brilham) Eu vou esperar, vou te esperar oba! (Érika consegue se livrar dele, vira a esquina entra numa loja de eletrodomesticos e se esconde, bem na seção de eletrônicos cheio de televisores multimidias; coisas do futuro impensadas neste texto) Em todas as telas , de repente, aparece a cara maluca de Herculano; são centenas de doidinhos sorrindo. Érika, onde quer que você esteja eu preciso te falar meu amor…escuta, pelo amor de Deus! (todo mundo do shopping fica olhando para as telas sem entender , quem é essa Érika cruel e malvada que despedaçou o coração do pobre nerd? Claro que agora o doido já está chorando deseperado) Érika, você precisa saber: o facebook não existe mais! Anota ai o endereço do meu…(Érika disfarça e sai da loja correndo, sendo seguida pelas imagens de Herculano nas telas dos corredores do shopping)

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O VELHO JOGO DO JULGAR

 

Girar em torno do mais e do menos. Do melhor e do pior. Da ascensão e do descenso. Do que os outros pensam e do que a gente pensa. Mundo comparativo esse ein? Parâmetros que nos fazem balançar na gangorra dos paradigmas e o tempo todo nos impulsiona a estarmos julgando, partilhando impressões, criando opiniões ou apenas replicando e difundido elas como se fossem nossas. A mulher mais alta do mundo, a outra mais velha do mundo, a miss bumbum mundo, o melhor ator, melhor atriz, o pior discurso, o melhor vendedor, o ranking dos piores, os da semana, os do mês, os do ano, os que venderam; os mais ricos, o índice da pobreza, logo, logo daqui um tempo vai ser superlativo; o maior ou o pior do UNIVERSO! Tem O IDH de tudo; dos nossos anseios, responsabilidades, somas e perdas. O PIB de conhecimentos do mundo acelerado e louco das comparações onde estamos inseridos faz do universo das disparidades uma brincadeira que automatiza nosso julgar. É preciso julgar, dar a opinião de formiga; que nem sabe de onde vem o açúcar e porque é doce. O importante ou o interessante para ser interessante e ficar importante é julgar. Não basta só julgar, mas saber que acha que sabe que pode julgar. E pode, tudo pode; depois a gente vê o que dá. Falo mal desse, falo mal daquele, falo mal até de mim, até de quem eu nunca vi, ou de quem nunca verei,; nem nasceu o infeliz ainda e já falam mal dele! Mas falo, falo, falo. Falamos! É a imposição da ideia usando o falo! O falo fálico! Através de fotos, filmes, imagens, palavras e sons. Sons musicais, escatologias rítmica com que alguns insistem chamar de músicas – olha eu ai julgando- e outras coisas. Pergunta: seria nosso juízo de valor que estaria pervertido pela força coercitiva do rebocador que puxa a superfície lentamente, mas que submerso esconde um potente submarino de tecnologia avançada de imbecilidade? O submarino do tempo moderno? O excessivo criticismo sem respeito ao sentimento alheio ou o reflexo de sensibilidade do outro para com nosso julgar? Contraponto: quem não o fizer que atire aqui a primeira pedra; ou na falta de pedra jogue ai a sua opinião na minha vidraça. Afinal, navegar é preciso, mas sem julgar é impreciso.          

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ODIAVA CARTÓRIOS

Hoje estive no cartório. Apenas para pegar uma certidão que a primeira; a original já foi impressa há 21 anos, a segunda há 3 anos e, necessariamente, socorri a terceira via , a de hoje. No momento não me indaguei sobre meu velho problema. Só agora na hora da escrita me ocorre uma velha pergunta; que aos poucos hoje em autoanálise talvez consiga responder: por que será que eu odeio cartórios? No tempo em que eu era um destemido office-boy  o sentimento era paradoxal; quando não tinha tempo pra ficar esperando os documentos me irritava profundamente por saber que um lugar tão minúsculo diante do mundo ou na minha concepção de entendimento pudesse ter esse poder para certificar uma parte de minha vida e a das pessoas que me pediam para ir aos tais cartórios. Por outro lado adorava fazer hora quando tinha tempo, assim podia observar a loucura que era, e ainda continua sendo, essa autenticidade falsa da sociedade submetida aos carimbos e assinaturas dos escrivães e tabeliões. Que mistério Kafkaniano é esse? Sempre sinto certo incômodo dentro de um cartório! O que me incomoda? A vida burocrática que necessita de autenticidade para confirmar a falta de autenticidade que ela possui nas autarquias, relações e desdobramentos das sociedades? O tempo passou e percebemos que imensos arquivos foram substituídos por computadores, mas os dados sigilosos só os são para quem está do lado de fora do balcão. Quase tudo lá ainda necessita de uma assinatura. Bom ou não? Hoje, finalmente, passo por cima das cismas e respondo. Bom! Ainda bem. Digo isso porque ao fazer uma análise mais realista da sociedade atual percebo que os cartórios metaforicamente nunca foram tão necessários como nos dias atuais. Afinal, diante da impossibilidade de sermos originais, – tentando o tempo todo ser- ficamos de senhas não, cada vez mais maquiados, politicamente corretos, límpidos pela lógica computacional da prova real de existência numérica e cada vez mais expoentes da banalidade pessoal. Resta enfim pagar no caixa para haver ao menos uma necessidade de fazer a massa liquidificada virar processo e ser usada de algum modo para tornarmos originais dentro da história, mesmo que pra isso seja viável um simples carimbo, – coisa tão antiga – um selo e uma assinatura de alguém que nem fazemos ideia de quem seja para que se confirme: estamos vivos. Burocraticamente vivos.  O próximo!  

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Arte e ócio, educação e história

Houve um tempo em que palavra escola simbolizava de certo modo “ócio”, pois para os gregos os tesouros do espírito eram frutos do ócio. O homem livre dispunha de tempo para se dedicar; certo de que não havia uma conotação do sentido educacional; também não havia a relação para destinar os cidadãos com objetivos úteis e intencionais para um projeto pragmático de estado. O homem se escolarizava na vida em afazeres simples para se dedicar ao espírito da cidadania; os trabalhos ligados aos braços eram dedicados aos escravos, enquanto os braços que agiam para modular a arte era conhecida como poesia. Artesanato, desenho, pintura, oratória, até dramatização poderia se qualificar como tal. A criação era o conceito principal que governava a vida do ser grego em detrimento da beleza. Uma beleza pura e livre dos complexos equívocos dos quais partilhamos nos dias atuais. Esses dias em que a arte e a criação se multiplica e se prostitui a cada instante. Um organismo que se prolifera em interesses comerciais. Teríamos perdido de uma vez a pureza? A centelha maravilhosa da ingenuidade? Quando isso ocorreu? Sempre me pergunto; mas ninguém tem certeza sobre isso; várias teorias colocam a culpa sempre no capitalismo, mas a ganância do homem que subjugou a arte ou qualquer instância única que a pureza detinha em sua consciência fez de nós, de nossa espécie , aquela que vende; seja a imagem, o corpo, a voz, a pele e principalmente a ideia. A história prova que as transformações do homem é sua própria história do seu “fazer” construtivo e produtivo, como diria Marx. Caminho sem volta. O que habita ainda em outro ponto oposto a Hegel; o espírito que forma a criação repetitiva que ainda insiste em nos habitar. Que seja ambos, mas que seja!

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