O TIRANO DA REDAÇÃO

Com sua voz anasalada propagava a discórdia e exercia o seu poder verborrágico entre os mais jovens. Humilhava os “colegas” na frente de outros quando este cometia alguma falha; as pessoas do lugar pareciam acostumadas a isso. Eu estranhei! Com o tempo acho que todos se acostumam; se não o Brasil não seria essa falta de ordem que é até hoje e vai demorar muito para deixar de ser. Mas, eu não me acostumei. Teimoso além da fronteira da teimosia, sempre quebrei a cara por não aceitar imposições inválidas, tirânicas, ordens descabidas sem sentido ou nexo. De alguma forma acho que foi um trauma semeado pelo meu pai – mas ai já é outra história que qualquer dia eu conto aqui – que agia assim por ignorância e não por prazer. Ou o prazer foi se tornando maior com o decorrer do tempo. Assim acontecia na redação. O estilo maquiavélico principesco de comandar as notícias e aqueles que faziam a tecelagem delas era latente em nosso personagem. Algumas vezes presenciei os mais fracos na visão das mais inexperientes lágrimas misturadas ao ódio e ao repúdio; mas o silêncio da precisão e, o pior a omissão daqueles que podiam fazê-lo, mas não o faziam! Escapei várias vezes das tiranias o quanto pude. Desviei de balas ignóbeis num estilo matriz reload ou tarantiano possível! Mas num fatídico dia , com situação definida de saída para mudança de trabalho, atrasei alguns minutos o meu horário. Que diga-se, era cumprido em pleno acordo trabalhista de aviso “ quebra galho” por falta de outro para cobrir o plantão. Pena, realmente acho que não existir presente, no momento do acontecido, um público notório; incluindo muitos daqueles que penaram nas mãos ou nas goelas; diga-se garras, do tirano. O enfrentamento foi inevitável; o monstro radialista veio ao meio encontro tal qual um minotauro rabiscando as paredes do labirinto redatório pronunciando seu discurso nefasto inflamado e intimidatório pra cima de mim! Eu já esperava! E como não; depois de estagiar por meses no umbral noticioso nas mãos do algoz tirano? Não me restou outra coisa a não ser vingar cada palavra ou falta de palavra que cada um devia ter dito e não disse! Liguei a metralhadora vingativa e despejei tudo o que pensava; claro poupei o palavrão para final, porque não há nada mais gostoso do que um sonoro palavrão para uma pessoa que jamais espera por isso. Dá pra adivinhar qual foi? Começa com VAI….

Na semana seguinte eu fui, mas não pra onde o mandei! Fui para um lugar melhor e não me arrependo disso! O que é uma fogueirinha pra quem estava no inferno? Eu sempre digo palavra tem poder, na hora certa então; vale ouro!

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No dia em que estive em Brasília

No dia em estive em Brasília

Havia dado uma parada. Eu sei. Mais do que ninguém sei o quanto é duro manter uma escrita diária. Por acaso volto aqui neste e sinto vontade de retomá-lo. Parabéns aqueles que conseguem manter o curso diário de seu barco mental no imenso mar de palavras; não é o meu caso. Escrevo visceral, descarrego fonemas num turbilhão de coisas em momentos incomuns. Assim, olhando este pela foto que decora o blog; lembrei-me de Brasília. Muito bem: no dia em que estive em Brasília!
Na chegada ao aeroporto a ansiedade de ser recebido para uma feria literária me apeteceu com pequenos transtornos; – era um aviso de que as vezes a gente não percebe quando os avisos vêm- ai vão eles: Na saída do estacionamento uma van enorme atravancava o caminho por onde deveríamos sair. Alguém havia estacionado bem em frente ao carro de transporte designado a receber alguns autores. Uma espera de mais de uma hora para receber outra pessoa que iria desembarcar. Por falta de outro transporte, o jeito foi esperar mais. Na chegada ao hotel ninguém responsável a saber o que se passava. Hospedagem, almoço e outras questões. Resolvidos com atraso. Horário previsto para o evento; atraso novamente. Público previsto; inexpressivo. A cobertura que seria dada pela mídia foi desviada para outro evento; que não seria descobri mais tarde; não era um evento e sim uma tragédia: alguém havia se afogado no lago Paranoá! Coisas ruins a parte, não devo me esquecer do encontro com os amigos, as novas amizades , contatos; coisas que valem a pena numa viagem. Afinal, viajamos para conhecer lugares e pessoas, uns fazem os outros. Um novo contato rendeu um novo livro; bingo! Nem tudo estava perdido na cidade das coisas “perdidas”, ou seriam verbas? Políticas a parte prossegui o meu dia. Após o momento de eventos o dia seguinte para passeio. Ruas largas, sol fugidio, vento na cara e muita coragem; longa caminhada do hotel até o palácio.Aliás; ida e volta. Gosto de caminhar! Escapei não ter ido de bermuda. Na chegada conheci um casal que se deu mal; o marido estava de bermuda e tinha vindo de Goiania só pra isso? De bermuda não entra cara! Se um dia voce for de bermuda ao Congresso Nacional nem tente ; não vai entrar. No caminho fotografei uma varredora de rua com o a imagem ao fundo para as torres do palácio: paradoxo! A catedral interditada; parece que até Deus está contra mim em Brasília. Consegui o passaporte para caminhar palácio adentro. Sala dos presidentes, a história do comando da nação com fotos da “família toda”; os presidentes da história. Os corredores, a câmara, o senado. Tudo bem visto visitado e vistoriado por mim. Impossível não sentir-se meio dono daquilo ou do lugar que pertence a nós e de certo modo nunca nos pertenceu; mas sim a “eles”. Mesmo assim, pena ter visto meses depois uma invasão ao patrimônio que é “nosso”. Voltando. Segue a van de volta ao aeroporto, o avião que sobe e o último olhar sobre Brasília. Perfeita, intacta. Num domingo, depois de um final de semana inesquecivelmente pronto pra ser esquecido, ou não como vemos agora! Lembranças paradoxais. Só eu mesmo faço isso! Devo voltar se chamarem. Quem sabe ninguém atravanque o caminho, encontro mais amigos, escritores não se atrasem, o cachê seja melhor, a catedral esteja aberta, os políticos trabalhando; ops sem exageros!A feira esteja cheia; de gente! Não só de livros! A mídia apareça e, por fim , sinceramente: ninguém se afogue.

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CONSELHOS

Se vc não segue não dê,

Se vc é cego não vê,

Se vc não segue não lê.

Pense.Toque.Ignore.

E continue,

Suas dúvidas não vão morar em vc para sempre

Elas só vivem de aluguel;

dê um aviso de despejo a elas, se informe.

Não é conselho, é diferente; é um aviso.

É o dízimo que a consciência cobra,

Pela mesmice que o no mundo há de sobra.

Crie um paradoxo; se revolte e agradeça,

É o tempo merecido; antes que padeça.

Muito nos inspira esta pira de vaidades facebookiana!

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AFORISMOS PARA 2013

Sempre gostei de aforismos. É . Aquelas frases que pouco preenchem lacunas de palavras, mas muito adicionam em nossas reflexões. Colorem nossa estante de conhecimentos com pensamentos sintetizados filosóficos; que independente de quem quer que tenha dito, pouco ou muita cultura, cabem exatamente em alguns instantes nas lacunas da precisão e carência que suplantam nossas dúvidas; a vida e seus dissabores. Acredito nas pequenas grandes obras; aqueles livros que não precisaram gastar as digitais do autor, pois se completaram em conteudo, significado e sentimento. Livros “afóricos”; apenas alguns para não perder a mania didática: O velho e mar, (Heminguay) Vidas secas, (G.Ramoa) O quinze,(R. de Queiroz) O estrangeiro (A. Camus) e tantos outros. Nas canções; nem sempre aquelas com melodias rebuscadas cheias de alternâncias e consonantes valem o êxtase da simplicidade de duas notas vicerais: Pra não dizer que não falei das flôres (G.Vandré). Na vida; os ensinamentos de Cristo com seus aforismos; o filósofo da fé. Na filosofia muitos afôricos eufóricos; Nietzsche, Kant, Pascal, Voltaire e grandes , gigantescos pensadores com seus pequenos enigmas que dizem muito e deixam por muitas vezes em momentos diferentes com diferentes interpretações a subjetividade de um passar a interpretações de outro e semear nesse o que muitas vezes nem o agricultor aforista tinha intenção de fazê-lo. A criação. deixo aqui, para não perder o hábito, improvisado  UM aforismo para 2013. 

QUE   A   QUIETUDE   REFLITA   PARA   QUE   A  CLARIDADE PERMANEÇA. 

 

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ENXURRADA DE NATAL

Enxurrada de natal; tal qual a chuva quando vai começar. O céu escurece e as núvens começam a dar pavor; sobe o vapor e a ideia de tempestade sobre nosso olhos e os olhares de outros que passam. De manhã; o céu do shopping já se apresentava assim neste sábado antecipando o natal. O que era brisa durante a semana se transformou na iminência de uma tempestade de gente num mar de consumo e realizações de sonhos – paliativos da alienação capitalista; perdoáveis nesta data pelo ponto de vista de outra enxurrada de consumo forçado para um “Brasil”melhor- que duram até a virada do ano e as novas dívidas que virão e jogarão a frente as esperanças e aspirações. A chuva começa e nem por isso; feito cusparada, já emborca água pelos bueiros dos corredores do shopping. Chegar antes, na hora de abertura das lojas maiores –  é estar com a capa de chuva e um guarda-chuva muito potente- desses de buffet em dia de chuva- mesmo assim ainda corre-se o risco de ficar horas e horas nas filas. Pelo menos hoje em dia temos a internet ; pois é comprar e rezar pra que tudo dê certo os santos “dabliusdablius” ciceronados pelos agentes de amarelo dos correios entreguem suas compras em dia. Se não já viu; hora dos presentes, sua cara de tacho com as mãos vazias- melhor imprimir o pedido feito num site pra não passar vergonha-  recebendo um presente sem ter outro pra dar ; apenas uma desculpa: é que eu pedi pela internet e ainda não chegou. Mas ainda não falei do supermercado; suas filas intermináveis, carrinhos se encontrando mais do que crianças que começam a caminhar no primeiro dia de parquinho. O patrão rindo a toa- o dono do mercado- por mais uma de luta de todos que fazem o natal a época de maior “comprasfraternização” do ano. Feliz, se teve , tem ou vai ter!

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BEM AVENTURADOS OS QUE JÁ TOMARAM PORRE!

Outro dia sai e nem percebi que usava uma camiseta ao contrário. Isso mesmo pelo lado do avesso. Como percebi depois, a camiseta tinha o pesponto curto e nem dava para reparar que estava pelo lado do avesso. Mas a verdade é que nem percebi e pronto! Quando notei já estava em casa e diante do espelho! Então quer dizer que eu fiquei o dia todo ou tempo de saída e chegada de camiseta pelo avesso e ninguém teve a capacidade me avisar? Então pergunto: pra eximir o outro lado que acuso: o que você faria se visse – alguém que você mal conhece ou não tem intimidade – usando uma camiseta ao contrário? Avisaria? Ficaria quieto? A questão realmente é esta: quando estamos ao contrário muitas vezes intimidamos a lógica das pessoas. Isso acontece muito quando bebemos e perdemos, de certo modo, nossa lógica absurda de coisas certas e fazer sempre o certo. O mundo é lógico; não devemos esquecer! Tudo deve ser metódico, calculado e sempre preciso; quando não, sempre temos exemplos na sociedade com pessoas que perdem o rumo e acabam comprometendo sua vida e a vida de outros porque perde a noção do que pode ou não pode fazer porque muitas vezes – e digo, na maioria das vezes. – cumpriu a tarefa de se tolher de algo que deveria ter feito e não fez realmente, – como se tudo fizesse parte de uma verdade não assumida- Perceba que isso acontece principalmente com pessoas que sofrem a pressão de fazer tudo correto e seguir e dar exemplos práticos de uma conduta meticulosa e ilibada. Quando ingerimos álcool – no sentido da leveza ou grau de cada um; – porque para alguns ingerir álcool depende de uma série de toneis e para outros basta um copo para romper essa barreira que está em pauta- vemos o mundo de outra forma. Quem dera todos pudessem ingerir e se aliviar do estresse de ser o mesmo em algum momento- mas ai temos um problema: precisaríamos sempre daqueles que não bebem ; não para nos controlar , mas para fazer a lógica da bebida ou das bebidas porque para se fabricar bem é preciso estar “são” . Então mera ilusão achar que todos poderiam ser felizes; pois podemos até acreditar que existem aqueles que nunca beberam e se vangloriam disso. Conheço gente assim: nunca botei uma gota de álcool na boca! Dizem. E olha que falam isso sem beber! Mas extrapolar, sair da razão, pensar diferente, botar a camiseta do pensamento ou do cérebro de outra forma não é mal. Digo isso não como analogia ao álcool- pois há aqueles que extrapolam- mas sim como forma de ver sempre o outro lado. O outro lado da garrafa. Resta saber onde cada um pode chegar no volume da garrafa. Boas festas!

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“CONHECE-TE A TI MESMO” – é conhecer pessoas!

A frase máxima do nosso grande filósofo Sócrates, que na verdade não lhe pertence e sim a inscrição no oráculo de Delfos; “Conhece-te a ti mesmo”, demanda uma série de questões nas relações consigo , com o mundo e principalmente com as pessoas. Acredito que aprendemos muito mais sobre nós conversando com outros. A grande dificuldade no mundo atual – que tem sido o excesso de comunicação tecnológica e a consequente falta de comunicação pessoal- na comunicação reside justamente no fato da falta de entendimento pessoal; através do outro e seus comentários, opiniões , atos , acertos e erros é que equiparamos aos nossos e reagimos mentalmente às imposições que nossas auto análises realizam. Quantos de nós percebmos que outro necessita em algum momento uma conversa, um papo sem objetivo específico; apenas por conhecer e dialogar , realizar a ação humana da comunicação? Tenho estranhado tanta gente arredia de assunto em filas de bancos, hospitais, caixas de supermercados e outros tantos lugares onde sempre ” cruzamos” com estranhos em nosso cotidiano de pequeno mundo. Assumimos muitas vezes o papel da preocupação e da velocidade e acabamos por esquecer que numa conversa informal, através de algo sem assunto, descobrimos muitas vezes o que pensa a maioria, qual é a sua função ou papel em determinado momento; pois da mesma forma que abrimos a conversa com a inocente visão de um papo furado, o outro também o faz; abrindo seu modo prático perdido nos tempos atuais. Isso pode ser notado não só com as pessoas mais velhas, mas percebo principalmente com muitas crianças e jovens. Nem todos estão alienados as máquinas e suas formas automáticas de ação, alguns ainda querem uma boa conversa ; pena que esporadicamente o assunto comece com o tema da falta de educação; mas esse é outro tema pra se descutir- o quanto as pessoas tem sido mal educadas; talvez por falta, justamente da comunicação e da maquinização de pensamento-  mais adiante.  Pois é, quem hoje puxou conversa com algum estranho? Falou sobre o tempo, o calor, a chuva, o futebol, a marca na parede?

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